(Em WHISTLEBLOWER.Pt)
“No dia 25 de Abril de 1974, as ruas de Lisboa encheram-se de cravos e de promessas.
O regime que caía era o do arbítrio, da polícia política e da ausência de escrutínio. O que nascia, alimentado pelo fervor revolucionário do Movimento das Forças Armadas e pela pressão das forças políticas que emergiam da clandestinidade, era suposto ser o oposto absoluto: um Estado de Direito onde médicos, juízes, políticos e governantes responderiam perante a lei exatamente como qualquer outro cidadão.
Cinquenta e dois anos depois, a distância entre a promessa constitucional e a realidade concreta das instituições portuguesas é tão vasta que já não se mede em anos, mas em gerações perdidas. O que existe hoje não é uma democracia que responsabiliza os seus servidores públicos.
O que existe é um sofisticado mecanismo de autoproteção da classe política e institucional, desenhado ao longo de sucessivas revisões legislativas e alimentado pela dependência financeira externa, que transformou o mandato democrático num escudo contra o povo que o concede. (…)”
